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terça-feira, 27 de novembro de 2007

:: Um pai especial ::

O depoimento é de Caho Lopes sobre o pai Moisés ,que hoje sofre com Alzheimer, advogado respeitado, comunista e antigrenalista, meu amigo de muitos anos, solidário e de conduta reta.
Recentemente perdi minha mãe que sofreu alguns anos com a doença, não sofreu, mas assistimos - eu e minha irmã Alba, definhar sua memória. Sofremos muito como sofrem todas as famílias que enfrentam esta doença. Pode ser que o velho Moisés não entenda o que o filho escreve,mas todos os filhos gostariam de dizer do seu pai o que o Caho escreve aqui.
Acompanhem
Meu pai

Meu pai é uma grande pessoa. É um cara do qual nunca ouvi falarem de sua conduta, de sua ética. Nunca soube que tivesse amantes, nunca o vi chegar bêbado em casa, nunca houve a menor suspeita sobre a origem do seu dinheiro. Nunca esteve no SPC ou na Serasa, e também não me recordo de algum dia um cobrador ter batido a nossa porta.
Tinha gênio difícil o meu pai. Era uma pessoa com um grau de exigência muito acima do normal, tanto com relação a si mesmo quanto às outras pessoas que o rodeavam. Trabalhava cavalarmente, numa época em que o termo workhaolic ainda nem havia sido cunhado. Perdia a paciência com facilidade, e ficava furioso o meu pai. Quando eu era criança, logo que aprendi a ler me caiu nas mãos um livro com vários contos de deuses gregos. No meu imaginário infantil meu pai era Zeus, o senhor dos céus e deus supremo. Quando ele ficava bravo comigo era como se seu rosto saísse das nuvens do céu e vociferasse sua fúria sobre mim. Mas logo depois se arrependia, o meu pai, este deus meu particular, e me enchia de beijos e abraços como só um pai pode fazer com o filho que ele tanto ama.
É meu melhor amigo, este meu pai. Sempre foi, sempre será. Em todos os momentos da minha vida que eu precisei ele estava lá, do meu lado. Muitas vezes fez o que eu achei que não devia, outras vezes fez o que eu precisava, mas o importante é que nunca se omitiu, nunca deixou de estar lá. Porque acima de tudo era valente, este meu pai. Era um homem sem medo: sem medo de se expor, sem medo das críticas, sem medo da avaliação dos outros, sem medo de fazer o que tem que ser feito, sem medo das batalhas.
Na vida, venceu sua guerra particular. Cumpriu todos os objetivos que se impôs quando jovem, quando decidiu o que era importante e o que era supérfluo, quando traçou o rumo de sua existência e descobriu o seu norte.
Meu pai ainda está vivo, mas já sinto falta dele. Atravessei momentos extremamente difíceis há pouco tempo em minha vida, e o que me manteve no rumo foi o exemplo que tive deste meu grande amigo. O que mantém uma espada erguida não é força do braço, mas a verdade que a empunha. E com ele aprendi a ser o senhor das minhas verdades e a defender sempre o que é certo, o que é ético e o que é justo.
Não sei quanto tempo ainda conviveremos, mas espero que seja o suficiente para que ele perceba que todo este aprendizado não ficará perdido nas ranhuras do tempo.
E que um dia Mercúrio, o mensageiro dos deuses, leve para ele a notícia de que os homens de sua extirpe ainda mantém a sua tradição de ética, honradez e coragem.

Caho Lopes
Novembro de 2007

:: Borra de Café Contra Dengue ::

Porque nas orientações sobre o combate ao mosquito da dengue não se dá valor a esta pesquisa, referindo intoxicar o Meio Ambiente com venenos?
Café, a nova arma contra o mosquito da dengue.

Uma cientista paulista, a bióloga Alessandra Laranja, do Instituto de Biociências da Unesp (Campus de São José do Rio Preto), durante a pesquisa da sua dissertação de mestrado,descobriu que a borra de café produz um efeito que bloqueia apostura e o desenvolvimento dos ovos do Aedes aegypti. O processo é extremamente simples:

o mosquito pode ser combatido colocando-se borra de café nos pratinhos de coleta de água dos vasos,no prato dos xaxins, dentro das folhas das bromélias, etc.
A borra de café, que é produzida todos os dias em praticamente todas as casas, tem custo zero. O único trabalho é o de colocá-la nas plantas, inclusive sendo jogada sobre o solo do jardim e quintal. Especialistas em saúde pública, entre eles médicos sanitaristas, estão saudando a descoberta de Alessandra, uma vez que, além da ameaça da Dengue 3, possível de acontecer devido às fortes enxurradas de final de ano, surge outra ameaça, proveniente do exterior: a da Denguetipo 4.
Conforme explica a bióloga, 500 microgramas de cafeína da borra de café por mililitro de água bloqueia o desenvolvimento da larva no segundo de seus quatro estágios e reduz o tempo de vida dos mosquitos adultos.

Em seu estudo ela demonstrou que a cafeína da borra de café altera as enzimas esterases, responsáveis por processos fisiológicos fundamentais como o metabolismo hormonale da reprodução, podendo ser essa a causa dos efeitos verificados sobre a larva e o inseto adulto.

A solução com cafeína pode ser feita com duas colheres de sopa de borra de café para cada meio copo de água, o que facilita o uso pela população de baixa renda e pode ser aplicada em pratos que ficam sob vasos com plantas, dentro de bromélias e sobre a terra dos vasos, jardins e hortas.
O mosquito se desenvolve até mesmo na película fina de água que às vezes se forma sobre a terra endurecida dos jardins e hortas, também na água dos ralos e de outros recipientes com água parada (pneus, garrafas, latas, caixas d`agua etc.).

"A borra não precisa ser diluída em água para ser usada", diz a bióloga.
Pode ser colocada diretamente depois de regar as plantas vai diluí-la. Ou seja: ela recomenda que a borra de café passe a ser usada, também, como um adubo ecologicamente correto.
Atualmente, o método mais usado no combate ao Aedes aegypti é o da aspersão dos inseticidas organo fosforados, altamente tóxicos para homens, animais e plantas.

Que tal colaborarmos, repassando a mensagem e aplicando a borra de café?
Fonte: Revista da Embrapa

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segunda-feira, 26 de novembro de 2007

:: Mais Yeda com Felipe Vieira ::

A governadora Yeda Crusius, conversou longamente, por 30 minutos com o jornalista Felipe Vieira, na Radio Bandeirantes Am,programa Ciranda da Cidade.Acompanhem a conversa da Governadora.

FELIPE VIEIRA – Qual a avaliação sobre o encontro com GUIDO MANTEGA? A senhora não conseguiu a liberação de R$ 1 bilhão de reais que desejava. O Governo Federal sinaliza com duzentos milhões que é insuficiente.

YEDA CRUSIUS – Os R$ 200 milhões em primeiro lugar são de ações novas, são de ações que pedem que eliminem o impedimento para a gente ter aval para conseguir recursos dos bancos oficiais, Caixa Econômica, BNDES. Tudo isso soma ao que nós estávamos pedindo de liberação, duzentos milhões. É uma ação nova. E com essa ação o governo reafirma que confia na direção do governo do estado do RS. Essa é fato. O aval é uma assinatura num papel que vai para os bancos oficiais. Nesse sentido os duzentos milhões podem vir rapidamente. Nós nunca negamos, FELIPE, que o ressarcimento das estradas que a gente quer continuar guerreando para ter e vamos continuar guerreando para ter. Ele nunca... é como eu disse ao ministro, eu não aceito. Mas não tem condições técnicas ainda de pagar. Bom, se não tem condições técnicas nós vamos buscá-las. Agora, eu não abdico. Vou continuar fazendo o que os outros governadores ficaram fazendo. E ai quando vier, se vier e como vier, então entra para o caixa do governo, que tem despesas a pagar. Não é apenas o décimo terceiro desse ano. É a folha para botar em dia. Esse recurso das estradas, ele é fundamental para nós botarmos a folha em dia.

FELIPE VIEIRA– Esse recurso das estradas é fundamental desde o governo OLIVIO DUTRA ou antes até no governo BRITTO e nunca veio. Inclusive, o secretario ARNO AUGUSTIN começou com uma ação. Hoje ele está no Tesouro Nacional e diz que não tem mesmo como pagar. Esses dias o deputado RAUL PONT me disse aqui que a ação estava errada mesmo, hoje reconhece que havia erro na ação, que não tem como cobrar do governo federal essa divida.

YEDA CRUSIUS – Olha, acho que o deputado RAUL faz bem em defender o companheiro. Mas se pediu errado, assume que pediu errado, eu vou pedir certo. O ressarcimento das estradas é um direito do RS. Nós nunca dissemos que viria, nós nunca criamos ilusão a respeito de que taparia o décimo terceiro. Não é isso. Nós vamos continuar trabalhando para ter. Nós vamos pedir isso. O ressarcimento não veio. Agora, a reafirmação mais importante que nós... Nós estamos promovendo o saneamento das contas públicas, não é só para nós. É para inverter essa situação e que um governador deixa sempre uma situação bem pior para o próximo. Inverter isso daí. Agora, uma noticia importantíssima, FELIPE. Um bilhão de dólares do aval federal para a negociação com o Banco Mundial. Isso é muito importante. Quero te dizer que é uma novidade o volume do aval que o governo federal resolveu dar e vamos tramitar com rapidez para pagar menos divida a partir do ano que vem. Mas durante mais de vinte anos acho que é isso é compromisso mesmo de colocar como urgência. Eu pedi para eles, viu?!

FELIPE VIEIRA – Esse um bilhão de dólares jogado na divida do RS baixaria o percentual de pagamento da divida para quanto?

YEDA CRUSIUS –
Dezoito por cento da receita líquida. São treze do Estado, mais o extra-limite. Essa é a divida além dos treze por cento da receita que a gente tem que pagar pelo contrato original da divida de 98. Esta é o que nós estamos pagando por empréstimos internacionais antigos e pelo Banrisul, porque nós resolvemos ficar com o Banrisul e pedimos empréstimos para ficar com o Banrisul. Bem, agora o Banrisul já se paga. A modificação é que um gasto deve ser de R$ 150 milhões a menos da divida a partir do ano que vem, todo ano. Soma isso com aquilo, com aquilo, com aquilo. É exatamente o que nós nos propusemos a fazer para ir consertando as contas do estado ao longo do tempo.

FELIPE VIEIRA – Governadora, a senhora disse que o Banrisul está se pagando.

YEDA CRUSIUS –
Está.

FELIPE VIEIRA – Quando eu calcular a divida do RS aqueles 5%, em números redondos do Banrisul que seria a parte do Banco na divida do RS. Eu não devo dizer que está sendo pago pelo caixa do Tesouro?
YEDA - Não, não, não, não.

FELIPE VIEIRA – Como é que é isso?

YEDA CRUSIUS –
Eu não pago mais para ter o Banrisul. O Banrisul tem lucro e transfere os lucros no que compete ao acionista maior que é o governo do estado e ele quando me da o lucro dele, vai para o meu caixa, é claro, mas já é um valor maior pro que eu tenho que pagar por ter ficado com o Banrisul. Eu quero te dizer que o Banrisul é um orgulho para todos nós e ele não contribui para pagar outras coisas. O que passa para o meu caixa, podia pagar qualquer outra coisa. Mas ele vai dar lucro suficiente para eu poder pagar a divida feita para eu poder manter o banco como estatal.

FELIPE VIEIRA – Então a tese de alguns, que seria bom federalizar o Banrisul não é uma tese que vá mais vingar daqui para frente. O Banrisul paga a parte dele na dívida e ainda sobra dinheiro para o governo do estado?

YEDA CRUSIUS –
Mas é uma anti-tese de quem nunca foi estudar isso. É uma anti-tese. O que estão querendo dar para o governo federal. O sacrifício que nós fizemos para botar o Banrisul na posição de excelência que ele tem hoje. Vota em excelência e faz uma privatização as avessas. Então da para o governo federal que é bom para o governo federal. O que é isso?

FELIPE VIEIRA – Governadora, tem que deixar bem clara essa situação, porque, sinceramente esta situação é uma situação que muita gente tem dúvida. E a senhora está sendo muito clara.

YEDA CRUSIUS–
Eu posso mostrar para vocês, eu mando para vocês esses dados. Qual é o lucro do Banrisul, quanto eu tenho que pagar para ter o Banrisul na extra-limite. Voltando a reestruturação da divida é que vamos reestruturar para pagar no máximo mais dois por cento. Hoje pagamos quinze e meio por cento e tende a crescer. Porque beneficiando é a receita. Pagamos treze por cento da receita no contrato original e mais de cinco por cento pelos empréstimos internacionais e pelo Banrisul.

FELIPE VIEIRA – Nesse caso do governo federal. É manchete do jornal Valor Econômico de hoje. A senhora se sente discriminada em relação ao governo federal.

YEDA CRUSIUS –
Se eu me sinto discriminada pelo Governo Lula? Não. Mas me sinto, pelo partido do governo federal. Porque enquanto nós fazemos uma oposição responsável como partido aqui no congresso Nacional, no estado eles me negam aquilo que estão dando ao governo federal. Eles usam argumentos inversos aos que eles usavam quando eram governo. Eles querem que eu faça as coisas erradas que eles fizeram? Como, por exemplo, pegar o dinheiro do Banrisul para pagar o décimo terceiro? O dinheiro das ações preferenciais como eu li no jornal ontem? Isso é confundir a cabeça das pessoas. Então, discriminação que eu digo é que não tratem o RS como se ele fosse rico, não tivesse problema nenhum, nem pobreza nenhuma. E que não nos tratem como diferentes nós somos.
A minha parte de arrecadação no RS é muito pequena. Eu entendo a reação ao aumento de impostos. Quem paga imposto até não reage tanto. Reage quem não paga imposto. Quando eu expliquei para o ministro Mantega “olha ministro, é o seguinte: a base tributaria é a minha poupança, não é?! Imposto é uma poupança forçada”. A minha poupança interna é muito pequena na forma de imposto. E grande parte do que a gente produz é bom, e a gente exporta e é desonerado numa proporção maior que outros estados. A gente exporta numa proporção maior do que outros estados. Por outro lado, a gente produz para micro e pequena empresa, tem o Simples já desonera oitenta e sete por cento segundo a proposta que nós enviamos para a AL que não foi discutida. Oitenta e sete por cento das empresas por serem micro e pequenas não pagariam imposto. A base que a gente tem para tributar, ela é muito pequena. Então me devolve um pedaço da reserva. Porque se dá para CPMF volta mais na forma de saúde, na forma que importa para nós. Então se a nossa base tributaria é pequena e eu entendo a reação das pessoas. Não das que pagam imposto, viu?! As que pagam imposto reclamam porque não têm o serviço dos impostos.
Mas os mais agressivos e às vezes radicais, você vai olhar, a maioria não paga imposto. Ou é desonerado porque é exportador, ou porque tem as despesas pagas de outra maneira. Enfim, a população entende que tem que ter medidas duras, reclama que o imposto não volta, porque o imposto é basicamente federal, o governo federal não volta os recursos. Tudo isso foi falado hoje na reunião. “Então, ministro. Por favor! Me trata como uma pessoa diferente. Pessoa federativa diferente”. Que no orçamento do ano que vem o ressarcimento da lei Kandir tem que ser maior. Se me pagassem tudo que diz na da lei Kandir todo ano não tinha déficit. Então não fomos nós que fomos errados (?) e ai se entende a reação ao aumento de um imposto qualquer que ele seja, apesar de eu dizer que seria feito aqui. Então, a lei Kandir eu continuo reivindicando. O ressarcimento das estradas eu não abdico, vou sair correndo atrás e sempre. Além disso tem outros itens que a gente tratou. Eu já tenho dito a dois meses aqui. Agora quando descobriram mais uma base de petróleo no RJ, o petróleo é nosso não é do Rio. Então, o governador SÉRGIO CABRAL, ele não precisa aumentar, aliás ele já tem imposto bem mais alto do que o do RS. A alíquota básica já é de dezoito, dezenove por cento, a nossa é dezessete. Mas ele tem cinco bilhões por ano de royalties, porque o petróleo está na plataforma dele. cinco bilhões de reais por ano é cinco bilhões a menos de ICMS que ele tem que buscar por ano.
Então vamos repartir um pouquinho esse royaltye. Ai realmente os senadores presentes na reunião vão batalhar para isso também e outros... Mas fundamentalmente como a gente estava centrada nessa questão que se eu fosse bem de dinheiro no curto prazo, estamos muito satisfeitos com o longo prazo.

FELIPE VIEIRA – Está.

YEDA CRUSIUS –
Se a reestruturação da divida vai ser a primeira a ser feita no Brasil e do compromisso com o ministro de querer continuar fazendo o que está dentro do quadro da lei para ajudar o Rio Grande. ele reconhece que estamos numa situação de emergência financeira.

FELIPE VIEIRA – IVAR PAVAN na tribuna da AL. “Se o governo YEDA CRUSIUS resolver o problema da crise financeira do RS deve fazer o tema de casa ao invés de adotar uma posição revanchista e repassar a questão para o governo federal. Somos parceiros para negociar com o governo federal, mas para isso é preciso que o governo gaúcho tenha legitimidade. O governo precisa ter humildade. Votamos contra pelo conteúdo dos projetos e por entender que existem outras alternativas capazes de solucionar a crise das finanças públicas como a cobrança da divida, a revisão da renuncia fiscal e o crescimento da economia, por exemplo. A gestão estadual, porém, tende apresentar contra-partida” disse o deputado ontem na AL.

YEDA CRUSIUS –
É. Ele vai ter que explicar porque votou contra as coisas que votou, não é. Agora, mais essa! Me impedir de vir buscar o que é do Rs no governo federal porque é do PT? O governo federal é o PT, tudo bem. Agora eu vou continuar. Agora eu sou uma guerreira a busca dos recursos externos que são devidos ao RS. Eu passei este ano numa guerra e confiei. Que era para mostrar que eu estou impedida de ir buscar recursos porque a minha relação divida-receita é muito alta. Estourada, mais alta do Brasil. Não é porque nós tenhamos perdulariamente feito dividas. É porque a nossa receita é baixa. Passei o ano inteiro falando isso para o RS. Agora o meu front de guerra é outro. Agora ele não quer que eu vá?

FELIPE VIEIRA – Me diga um negócio. Uma outra situação que eu até já ouvi aqui é a seguinte: a governadora está correta, mas também não fez nada quando o pólo era invertido. O OLIVIO no Palácio Piratini e ela estava na bancada federal em Brasília e o governo era FHC.

YEDA CRUSIUS –
Como que eu não fiz? Não veio o dinheiro no final do governo OLIVIO? Não votamos todas as políticas de cunho descentralizado? Eu sempre digo que o governo OLIVIO tem muita sorte que no primeiro mês que ele foi governador tinha mudança de câmbio. Deu aquela maxi valorização na virada do câmbio real. Encheu as burras do governo federal por causa das exportações? Quadruplicou o valor das exportações? O valor de tudo melhorou para ele, mas ele teve muita sorte por ele estar governando o RS num governo que fez políticas descentralizadas. O que chegava de dinheiro do FHC para o governo OLIVIO. Até tinha muita reclamação.

FELIPE VIEIRA (apresentador) – Os números que o PT diz hoje é que chega mais dinheiro hoje do que chegava no passado.

YEDA CRUSIUS –
Porque tem Bolsa-família. Porque tem superávit, não?! Quem é que fez a estabilidade da moeda? Quem é que fez as reformas que eles votaram todas contra? Há uma contradição no discurso porque ele diz “ah, o que de bom tem agora foi eu que fiz. O que tem de ruim não fui eu”. Todos fizeram. Então o que ele está obrando de mim como deputada? É uma coisa muito interessante isso. Assumam o que fizeram, que votaram contra a estabilidade da qual hoje estão usufruindo. Não me voltem para o passado. Isso é uma técnica ruim. Vamos olhar o futuro. Porque falar do passado... Por Deus. Eu volto a ser deputada.

FELIPE VIEIRA – RAIMUNDO SILVA (ouvinte )de Canoas. A senhora vai tentar uma meio jurídico para reapresentar o pacote de medidas? Ai já emenda a pergunta. Tem negociação de cargos para conseguir a aprovação? Hoje de manhã o assunto da AL é o seguinte: que algumas das propostas rejeitadas no projeto da senhora semana passada poderiam voltar como emendas junto ao projeto do Simples que já tramita na casa do deputado RONALDO ZÜLKE. A senhora já avaliou isso com a coordenação política?

YEDA CRUSIUS –
Não. O projeto do RONALDO (corte) razões. Uma porque foi evitado o Simples e não se volta ao mesmo assunto na mesma legislatura. Segundo porque ele não pode ser o autor de ações que mexem com tributos, é exclusiva competência do executivo. Então se me pedirem coisas boas para o estado do RS como governadora eu vou fazer. Eu não tenho dúvida. agora eu quero saber se eu tenho votos. Ou querem de novo uma manchete maravilhosa de jornal “YEDA foi derrotada”. Essa eles já ganharam. Não tenho problema nenhum em relação a isso. E digo que fui derrotada, aliás o RS inteiro foi. Pelo método e pelas conseqüências. Agora, o que quiserem me propor eu encaminho para a AL desde que eu tenha a confiança de que existe um acordo. Alias, foi isso que eu tentei fazer quarta-feira da semana passada. Enviar um acordo, modificações trabalhadas nestes quarenta dias. Eu farei. Não tenho problema nenhum, pelo contrario. Bem vindas todas as iniciativas que sejam boas para o estado.

FELIPE VIEIRA – A senhora contemporizou com o PP. Por quê?

YEDA CRUSIUS –
Porque o PP é um partido, não é uma pessoa. O PP é um partido que tem história no RS. Toda vez que ele participou de um governo majoritário depois foi governo, depois participou de outro. As áreas de política pública entregues ao PP, a gente tem segurança de que vão ser muito bem levadas. Então, o partido, ele participa do meu governo e eu agradeço a participação das pessoas do PP. Porque elas levam as políticas públicas do governo. Elas colocam a cara, elas defendem essas pessoas. A política agrícola, a reação com os municípios, a política de cultura. Tem pessoas do partido que foram escolhidas por competência e participam de todas as políticas publicas, de saúde, de educação. Enfim, o exemplo da AL, para mim, não é, eu não o considero um evento do PP. Tanto é que os prefeitos do PP, os secretários do PP, militantes do PP, apoiaram o projeto. O projeto, ele foi discutido na AL enquanto se discutia com a sociedade inteira. A Famurs apoiou o projeto. Enfim, não vamos confundir o que aconteceu na AL com o PP. Tem conseqüências pro PP. Claro que tem.

FELIPE VIEIRA – Posso fazer uma frase?

YEDA CRUSIUS –
Pode.

FELIPE– É ruim com ele, pior sem ele?

YEDA CRUSIUS –
Não. Não é ruim com o PP. O que aconteceu é que os votos do PP na AL foram absolutamente dissonantes da história do PP. O PP quando faz compromisso, cumpre. Então foram dissonantes. O PP está com um problema interno e eu sou muito solidária porque todos os paridos passam por problemas internos. E a gente tem que ser solidária quando acredita que um partido forte é uma instituição boa. É boa pata o estado, boa para o município. Então não é ruim sem ele, não, pior sem ele, com ele. Não isso, não. É bom ter o PP no nosso governo. Essa é uma decisão que tem várias... O processo decisório é muito complexo para o PP. Mas eu continuo dizendo, eu não vou dizer que agora é diferente do que foi quando eu convidei o PP a participar do governo. Olha só que estabilismo do nosso secretario JOÃO CARLOS. A gente nem se lembra que tem questão agrícola de tão bem que está andando. Então eu continuo dizendo que o PP é um partido e partido é uma coisa construída na historia, e com o PP é bom estar.

FELIPE VIEIRA (apresentador) – A senhora modifica novos cargos no governo na virada do ano? Há uma expectativa de troca de secretários. A senhora pretende fazer isso?

YEDA –
Eu vou reconstruir a base. Eu estou pedindo a reconstituição da base. E agora após um ano de experiência isso significa um processo de negociação, claro. O que eu tenho que saber é se eu tenho base na AL. quantos votos eu tenho na AL. É o compromisso vai ser respeitado.

FELIPE VIEIRA (apresentador) – Para isso a senhora pode abrir mão do seu chefe da Casa Civil e ele ir liderar o governo na AL?

YEDA CRUSIUS –
A única pessoa que não pode sair é a governadora por varias razões. E eu tenho um posto de eleição. O governo, ele é um governo absolutamente sólido, competente, reconhecido pelo Rio Grande, no Brasil e fora do Brasil. É impressionante isso. Agora, que o tabuleiro mudou com essa decisão da AL, mudou. E eu já disse que o quero zerar o governo. O que é zerar o governo? Então, é com quem eu conto que eu quero ter no governo.

FELIPE VIEIRA (apresentador) – Pode ser minoria, mas tem que ser fiel.
YEDA – Eu acho que eu tenho maioria. Mas quarta-feira foi única, primeiro e único zero. Porque não é bom para o parlamento do RS, não é bom para a política do Rio grande. mas sem divida eu vou refazer a base. Vou zerar o governo. Não no seu projeto e nem no que já tenho. Mas dizer que está aqui porque é antes as interlocuções serão feitas dessa maneira. Assim que se faz. Nem precisava ter acontecido o que aconteceu na quarta-feira. Mas se você analisa todos os governos, no primeiro ano você implanta o governo. No segundo ano em diante você pratica aquilo que você plantou no primeira.
FELIPE VIEIRA – Eu tenho uma ultima pergunta. A senhora negociou no ministério de integração nacional a liberação de duzentos e dez milhões para o RS. Para que vai servir esse dinheiro?

YEDA CRUSIUS –
Eu estou com os empenhos em mãos para duas barragens, da Guarita e Taquarembó. Quando o convenio estiver totalmente escrito, vai faltar uma semana ou duas, o ministro Geddel Vieira Lima vai lá para a gente assinar, iniciar a licitação e empreender obras para mudar a nossa fronteira. Está uso múltiplo das águas, tanto para barragens quanto para uso de irrigação. Então é uma transformação enorme lá naquela região. Duzentos e dez milhões para as duas barragens, portanto. É cem milhões nessa primeira parte para fazer as barragens. É cento e trinta, por ai, não sei direito. Daí esse ano é nove milhões. Depois mais dois anos tem um calendário. A outra noticia boa é que finalmente eu vou ter o ressarcimento dos gastos com os ensinos feitos no passado através das verbas que o governo tinha do banco alemão. Sete milhões e meio este ano. A outra noticia é que a burocracia governamental federal, ela incidiu a chegada do ressarcimento dos estragos dos eventos de fevereiro. Nove milhões e cem. Então a partir de hoje estarem disponíveis na caixa econômica federal para os municípios irem buscar o ressarcimento dos estragos. Foi a maneira como eu encontrei para a coisa não demorar mais. Pedi ao ministro GEDDEL para ser meu parceiro, ao ministro MANTEGA para ser meu parceiro para irmos ao presidente LULA pedir que não usem a burocracia do calculo. Porque, na verdade, tem que ter m certificado de que não deve nada para receber o dinheiro da emergência, da defesa civil. Eu já fiz isso com as Apaes.
O que aconteceu quando uma Apae lá de Santana do Livramento me procurou porque ela não recebia dinheiro do governo federal porque as prefeituras estavam inadimplentes. E eu fui pedir ao ministro MALAN e fui ao FHC e eles excepcionalizaram. Então as Apaes recebem diretamente sem passar pelas prefeituras e podem não ser boa pagadora. Pode estar com algum problema imediato. Eu quero a mesma coisa para as emergências de todo Brasil. Então eles vão comigo, até o presidente LULA, porque é uma questão de humanidade. Ai eu disse do granizo, eles estão aqui preocupados com um milhão de coisas. Então não sabiam do estrago do granizo ter sido tão forte quanto foi. Então eu acho que eu faço um bem para o RS, eu faço um bem para todos, o presidente LULA faz como o presidente FHC, o ministro da fazenda faz como o ministro da fazenda anterior e nos levam a excepcionalizar os gastos com RS.

Esta entrevista está disponível no site do jornalista www.felipevieira.com.br

:: Deu na Folha: Yeda vai falar com deputados ::


Folha de S.Paulo
26/11/2007

Para sanar déficit, governadora tucana quer deixar funcionários sem aumento por três anos e também cortar benefícios fiscais

"Ajuste será feito com aumento zero de salário"
Marta Salomon
Da Sucursal de Brasília


Derrotada na intenção de aumentar alíquotas do principal imposto do Estado e com um déficit de R$ 1,3 bilhão nas contas públicas, a governadora do Rio Grande do Sul Yeda Crusius (PSDB) diz que não tem alternativa senão congelar os salários dos servidores por três anos, reduzir investimentos e cortar -por decreto- benefícios fiscais das indústrias gaúchas.

"O Tesouro do Estado só vai poder cobrir telhado de escola e consertar canos. O Estado ficou mais pobre", disse Yeda. Apesar de não ter garantido o pagamento do 13º salário dos servidores, ela calcula que vai equilibrar as contas do Estado até o fim do mandato. Aposta ousada para quem foi questionada por amigos se o governo havia terminado após a Assembléia Legislativa rejeitar por 34 votos a zero a proposta do governo de aumentar o ICMS, no último dia 14.
Em entrevista à Folha, Yeda admite que pensava em aumento de imposto já na campanha eleitoral.

FOLHA - A visita a Brasília aliviou a crise financeira do Estado?

YEDA CRUSIUS - O saldo foi insuficiente. Tenho um déficit de R$ 1,2 bilhão, incluindo o pagamento do 13º salário, que pretendo pagar com um empréstimo do Banrisul. Os R$ 200 milhões com que o governo federal acenou são novidade. Também foi reiterado o compromisso de aval a um empréstimo do Banco Mundial para reestruturar a dívida do Estado. Mas vamos batalhar pelo ressarcimento dos investimentos feitos nas estradas. Chegamos ao fim do ano no sufoco.

FOLHA - O ritmo da negociação com o governo federal pode levá-la a trabalhar contra a aprovação da CPMF no Congresso?

YEDA - Uma coisa não tem a ver com a outra. Quero que a aprovação da CPMF resulte em benefício para o RS. O mais grave foi a contaminação política pelo debate do terceiro mandato.

FOLHA - Não basta Lula dizer que não quer um terceiro mandato?

YEDA - A discussão partiu de um deputado do PT. É o PT que tem de dizer com provas que não quer e retirar o projeto.

FOLHA - A sra. acaba de sofrer uma derrota na Assembléia Legislativa. O Estado ficou ingovernável após o veto ao aumento do ICMS?

YEDA - Não, estamos fazendo as mudanças estruturais. A parte do governo na venda de ações sem direito a voto do Banrisul -R$ 1,3 bilhão-, eu coloquei como fundo de reserva para pagar os aposentados. Os aposentados consomem 52% da folha. Só no ano que vem, vou pagar a eles R$ 160 milhões tirados desse fundo. Outra mudança estrutural, além do corte de gastos, diz respeito ao pagamento da dívida. Comprometemos 18% da receita líquida nisso. Vamos ser o primeiro Estado a reestruturar a dívida. Eu vou zerar o déficit, só que vai ser em três. O investimento do governo é quase zero: R$ 11 milhões. Feliz do [José] Serra que tem R$ 11 bilhões.

FOLHA - O Orçamento de 2008 tem R$ 30 milhões para investimentos?

YEDA - A proposta era de R$ 230 milhões. Com o que eu iria buscar, dava investimento de R$ 900 milhões. Agora o Tesouro só vai poder cobrir telhado de escola e consertar cano e coisas assim. Sinto muito, mas o Estado ficou mais pobre.

FOLHA - Foi um mau passo?

YEDA - Não. Enviamos as propostas à Assembléia logo depois do Orçamento, que previa déficit de R$ 1,3 bilhão. Por 40 dias, discutimos com a sociedade um conjunto de cinco projetos de lei. Os mais importantes, que foram rejeitados, pretendiam controlar despesas.

FOLHA - Foi uma resposta à quebra de uma promessa de campanha?

YEDA - Não vou escrever num plano de governo que vou aumentar imposto. O resto ninguém lê. E repito o que disse na campanha: a crise não se cura por aumento de imposto, mas por um amplo leque de medidas. Se foi entendido que eu havia prometido que não ia aumentar imposto, faço mea-culpa, não me expressei direito.

FOLHA - A senhora vai mexer nos incentivos fiscais?

YEDA - É uma pauta, embora minha margem seja pequena. Há um decreto que restitui ICMS quando a prestação de contas da empresa é por crédito presumido. Eu, por decreto, vou ter de cortar. Sinto muito, mas líderes empresariais que foram discutir na Assembléia cometeram suicídio. Eu avisei: vou ter de tirar de algum lugar.

FOLHA - O Estado teve risco de ir à bancarrota?

YEDA - Esteve perto. Mas o Supremo me deu ganho de causa quando os servidores quiseram seqüestrar os recursos para a folha. Teria bancarrota pois, sem a redução do déficit, não estaria pagando salários, e isso pára o Estado. Vou ter de fazer as pessoas pagarem com um pouco mais de dor. O ajuste será feito com corte no crédito presumido, baixo investimento e aumento zero para o funcionalismo por três anos.

FOLHA - Como a senhora pretende resolver a crise política?

YEDA - Reconstruindo a base. Vou ter de recomeçar do zero. Quem é contra o projeto de governo entrega os cargos.

FOLHA - Mas não houve votos a favor da proposta do governo.

YEDA - Quando veio os 34 votos a zero contra a proposta, recebi telefonemas achando que havia terminado o governo. São 55 votos, eu tenho a maioria. No dia da votação, a base aliada deveria sair de plenário para ganharmos uma semana para a discussão, mas 38 deram quórum. O zero expressa o lado fiel da base. Quem foi contra? Deputados do PTB, PMDB, PT, PPS e do PSDB. Não vou mais discutir com partidos. Vou negociar com os deputados.

FOLHA - E a sucessão de 2010?

YEDA - Ah, não estou nem pensando nisso. Eu preciso fazer reforma, o que vier depois...

FOLHA - Na sucessão nacional, apoiará José Serra ou Aécio Neves?

YEDA - A unidade do partido. E vai haver uma disputa interna permanente, o que é saudável.

:: Chaves ameaça e não é levado á sério ::

Hugo Chavez, faz ameaças de prender quem faz oposição.Fecha emissoras de televisão e rádio, diz que vai prender padres católicos. Já vimos este filme e quem não se importou acabou pagando pela inércia.Prestem atenção nestes versos:

Maiakovski Poeta russo "suicidado" após a revolução de Lenin…escreveu, ainda no início do século XX :Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim. E não dizemos nada. Na Segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão. E não dizemos nada. Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba nossa lua, e, conhecendo nosso medo, arranca nossa voz da garganta. E porque não dissemos nada. Já não podemos dizer nada.

Depois de Maiakovski…Primeiro levaram os negros. Mas não me importei com isso. Eu não era negro. Em seguida levaram alguns operários. Mas não me importei com isso. Eu também não era operário. Depois prenderam os miseráveis. Mas não me importei com isso. Porque eu não sou miserável. Depois agarraram uns desempregados. Mas como tenho meu emprego também não me importei. Agora estão me levando Mas já é tarde. Como eu não me importei com ninguém. Ninguém se importa comigo. (Bertold Brecht - 1898-1956)

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram; já não havia mais ninguém para reclamar...(Martin Niemöller, 1933 – símbolo da resistência aos nazistas.)

Para pensar.